Estamos abrindo um novo espaço em nosso blog, o Perfil Jornalista, onde estaremos batendo um papinho com alguns colegas de profissão. E para estrear, ninguém melhor que o jornalista José Maria Rodrigues Nunes, natural de Vacaria e atual Presidente do Sindicato Profissional do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do RS.
1 - Fale um pouco da sua trajetória.
Sou formado em Jornalismo pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos – Unisinos, em São Leopoldo e tenho ao longo de minha carreira um histórico voltado à mídia do Interior do Estado do Rio Grande do Sul, em especial os jornais. Iniciei minha carreira no Jornal JS, em Sapiranga, e, na seqüência, me transferi para o jornal Zero Hora, para atuar como correspondente no Município de Pelotas, onde passei por diversas editorias, o mesmo ocorrendo em Vacaria, quando fui correspondente do Jornal Pioneiro. Em 1996, me transferi para o Jornal VS, onde trabalho até os dias de hoje, tendo passado pelas editorias de polícia, geral, variedades e esportes.
2 - Por que escolheu o jornalismo como profissão?
Acredito que a minha escolha se deu como acontece com a maioria dos jovens que percebem as injustiças sociais e querem fazer algo para mudar. Ainda jovem sempre procurei estar atento às mudanças e questionava, quando algo saia errado, neste sentido não foi preciso nenhum teste vocacional para dizer que me tornaria um profissional na área do jornalismo. A única dificuldade encontrada mesmo, foi de como cursar uma faculdade, já que morava no interior do estado e era uma verdadeira aventura buscar uma formação num curso superior, ainda mais para uma pessoa de família humilde e o fato de estar longe da família. Como muitos jovens, enfrentei os mesmos problemas de falta de dinheiro, mas no final posso dizer que consegui superar vários obstáculos, é claro sempre contando com o apoio da família.
3 - Como enxerga a classe jornalística atualmente?
Tenho dito que os jornalistas vivem uma crise de identidade e isso não é de agora não, a falta de consciência profissional fez com que os jornalistas, legítimos defensores de todas as classes sociais, em especial dos trabalhadores perdessem a sua referência. Eu acredito que isso ocorreu após a abertura política no Brasil, quando o profissional passou a buscar cada vez mais um segundo e até mesmo um terceiro emprego e deixou questões importantes de lado. Um exemplo claro é o que aconteceu com a decisão do Supremo dando fim a obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão. Muitos profissionais sequer sabiam que isso estava acontecendo. Tenho certeza que se os jornalistas fossem um pouco mais unidos teríamos revertido essa situação.
4 - O que o motivou a ingressar no sindicalismo?
A atuação político-sindical teve início em 2000, quando assumi o cargo de delegado sindical no Jornal VS. Em 2004, assumi o cargo de vice-presidente do Sindicato. Com um trabalho voltado ao fortalecimento das Delegacias Regionais no interior do Estado, em 2007 fui eleito presidente do Sindicato. Em julho de 2010 fui reeleito presidente do Sindicato com 92,44% de aprovação da categoria. Hoje ocupo também o cargo de vice-presidente Sul da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj).
Sou o primeiro jornalista com base no Interior do Estado a ser eleito para presidir o Sindicato, em mais de seis décadas de existência. Dentro dos projetos à frente da entidade, que congrega mais de 8 mil profissionais em todo o Estado, está a luta pela obrigatoriedade do diploma e a regulamentação profissional, o desenvolvimento das delegacias regionais do Interior. Entre as realizações obtidas ao longo do primeiro mandato estão a organização de dois congressos estaduais no interior do estado, em Santa Maria (2008) e em Novo Hamburgo (2010), e o Congresso Nacional dos Jornalistas, que ocorreu em 2010 em Porto Alegre.
5 - Qual a importância do jornalista do interior no movimento sindical?
Eu acredito que a mobilização dos jornalistas do interior é de fundamental importância para o movimento sindical, uma vez, que hoje contamos com universidades em vários cantos do Rio Grande e com isso o mercado jornalístico tende a crescer ainda mais. Para termos um controle do cumprimento das leis trabalhistas se faz necessária a presença do sindicato e de dirigentes, que dediquem um pouco do seu tempo para unir a categoria e buscar solução para os problemas que estes profissionais enfrentam no dia a dia. Eu sempre digo que o jornalismo feito no interior é tão bom como é que é feito na capital, e por isso deve ser valorizado da mesma forma. Desde que assumi o sindicato uma das minhas metas é acabar com os dois pisos, mas infelizmente ainda falta uma mobilização maior da categoria para isso acontecer.
6 - Depois do golpe sofrido pelo STF, quando foi derrubada a obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão de jornalista, como anda a movimentação em relação a PEC nº 386/2009, que reverteria esta situação?
Temos duas PECs tramitando no Congresso Nacional, a PEC33/2009, do senador Antônio Carlos Valadares, do Sergipe que inclusive já entrou na pauta de votação do senado, mas infelizmente acabou não sendo apreciada e a PEC 386/2009 do deputado Paulo Pimenta que tramita na Câmara. Acreditamos que temos condições de reverter a decisão do Supremo, mas para isso é necessária uma mobilização de toda categoria e da sociedade, em especial destacando que o STF disse não a educação no Brasil e para isso o Congresso Nacional terá de voltar a legislar.
Não podemos admitir em hipótese alguma que, por decisão judicial, retirem dos profissionais e também da sociedade a premissa de um jornalismo de qualidade exercido por pessoas que buscam uma qualificação nos bancos escolares. Ao contrário do que muitos dizem, o curso superior é sim o balizador de um jornalismo sério e ético. Não são os grandes empresários, os defensores da desregulamentação por interesse próprio, que poderão dizer quem pode ou não escrever no jornal. O diploma é um dos requisitos básicos e que hoje impedem um jornalismo de interesses, porque acaba por vezes impedindo o acesso aos postos de trabalho, àqueles que se acham no direito de exercer a profissão sem ética e conhecimento.
Para os patrões da comunicação a não obrigatoriedade do diploma é muito cômoda, porque podem contratar quem quiser para defender seus interesses, admitir profissionais sem nenhuma ética ou compromisso social. Para que ter o compromisso com a verdade, se a verdade é aquela dos empresários. Infelizmente, esse pensamento patronal está cada vez mais impregnado dentro da nossa categoria. Pelo menos na época de Chateaubriand, ainda que explorados, os repórteres entendiam que era o momento de cobrar o salário. Agora, os profissionais preferem aceitar as regras do patrão a exigir seus direitos.
A decisão do STF contrária aos interesses da sociedade, que é de ter uma informação com o caráter público da notícia, ou seja, o interesse público de um fato noticioso. A exigência do diploma, de maneira alguma “cerceia” a liberdade de expressão, grito expelido por aqueles que se dizem contra o diploma.
7 - Por fim, deixe um recado para os jornalistas de Rio Grande, São José do Norte, Santa Vitória do Palmar, Chuí, Arroio Grande e Jaguarão, amparados pela Delegacia Regional de Rio Grande.
Só quero pedir para que os jornalistas se filiem ao sindicato e ajudem essa direção que assumiu a Delegacia Regional, para que consiga desenvolver um belo trabalho em prol dessa categoria. Fizemos um esforço bastante grande para retomar o trabalho nessa regional, que para nós é de fundamental importância e queremos com isso dar respaldo não só para os diretores mas para todos os profissionais da região. Para isso e mostrando que o Sindicato dos Jornalistas Profissionais cada vez mais está valorizando o trabalho jornalístico produzido no interior do estado que programamos para realizar em Rio Grande o Encontro Estadual de Jornalistas em Assessoria de Comunicação, marcado para ocorrer no dia 27 de agosto, evento este que é preparatório para o Encontro Nacional de Jornalistas em Assessoria de Comunicação, que ocorre no mês de outubro, em Natal, no Rio Grande do Norte.
José Nunes foi entrevistado por Lorde Lobo.
José Nunes foi entrevistado por Lorde Lobo.

2 comentários:
Bem legal. Penso que o espaço de entrevista vai nos aproximar um pouco mais. Acho que o grupo aquele das conversas quinzenais vai migrar definitivamente pra cá, agora. Nossa versão online...
Não vamos mais ter nossos encontros presenciais? :(
Que pena...
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